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“o que separa o velho do novo…” no mundo da bola

9 nov

Não quero regra nem nada
Tudo tá como o diabo gosta, tá,
Já tenho este peso, que me fere as costas,
e não vou, eu mesmo, atar minha mão.

O que transforma o velho no novo
bendito fruto do povo será.
E a única forma que pode ser norma
é nenhuma regra ter;
é nunca fazer nada que o mestre mandar.
Sempre desobedecer.
Nunca reverenciar.  (Como o diabo gosta – Belchior)

por Felipe Bianchi

Belluzzo com torcedores na Ilha do Retiro, em Recife.

Luis Gonzaga Belluzo é um dos mais importantes economistas e pensadores brasileiros desde o século XX.

seu gabarito inclui diversos feitos, trabalhos e prêmios. desde a década de 60.

hoje, Belluzzo é presidente – querido e apaixonado – da Sociedade Esportiva Palmeiras, que é o clube do coração deste blogueiro que vos escreve. Continue lendo

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Artigo sobre a piada (de mau gosto) democrática do sistema político brasileiro

4 nov

o seguinte texto é na verdade um artigo produzido por mim para as aulas de “Redação em Jornalismo II”, ministradas pela professora Adriana Bravin, na Universidade Federal de Ouro Preto.

como faz tempo que não posto aqui – e tenho tido pouco tempo, na verdade, para atualizar o blog -, publicarei o artigo que produzi na Universidade.

Democracia à venda, compra e permuta

por Felipe Bianchi dos Santos

Se alguém, por mais ingênuo que seja, pensa que as eleições só começam no ano que ocorrerão, certamente não tem acompanhado o flamejante noticiário político do país. As cartas eleitorais já estão sendo dadas e, infelizmente, o repetitivo quadro, que persiste dominando o sistema político brasileiro, vai se firmando novamente. De um lado, o PT, defendendo a continuidade de um projeto conciliador, longe de suas tradições de esquerda. Do outro, o PSDB, tentando recuperar o poder que os adversários conquistaram. No meio, esbarrando uns nos outros, a centena de legendas e siglas que formam uma interminável corrente que une, muito além de “ideais” e “posições”, a manutenção do poder político.

O dito de Lula, que tanto causou polêmica nessa semana, de que “se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão” parece piada. Mas não é. Afora indignações de setores religiosos ou qualquer reação do tipo, podemos afirmar e nos preocupar com a realista e sincera metáfora do presidente.

O governo e seus representantes calcam cada vez mais seu discurso em princípios democráticos, vangloriando-se de o país, que ainda é jovem no cenário histórico global, estar alcançando um estágio maduro de sua democracia. O curioso é que o Senado enfrentou recentemente  uma turbulenta crise institucional, reverberada principalmente pelo caso Sarney. Ademais, a alternância de velhos nomes nos cargos políticos, como o de Fernando Collor e do próprio Sarney, agride o argumento democrático. Nas eleições, que são consideradas algo semelhante a um “ritual da democracia”, as contradições são escancaradas: a disparidade de tempo no horário de propaganda eleitoral de partido para partido, a necessidade de patrocínios empresariais como parte do jogo eleitoreiro e principalmente a obrigatoriedade do voto.

Além disso, mesmo que não esteja na pauta do debate público, o próprio modelo eleitoral presidencialista, de uma democracia representativa ao invés de participativa, deve ser posto em xeque. Cada vez mais a máquina pública é apropriada pelos governantes, irreconhecíveis em relação a suas antigas e desbotadas bandeiras, e o estado de bem-estar social minimizado (à grosso modo: os pesados impostos não são revertidos em benfeitorias sociais para as quais são destinados).

Falando em bandeiras desbotadas, e inegável a perda de identidade dos partidos brasieliros. O melhor exemplo é o PT. O partido vive clima de eleição presidencial interna, que ocorre no fim de novembro, e a disputa é óbvia: os que defendem o “novo PT” versus os que desejam resgatar o espírito revolucionário do partido. O PMDB esbarra nas divergências quanto ao lançamento de candidatura própria ou aliança com o PT. Já o PSDB precisa definir sua tática através da escolha de Serra ou Aécio. Mas, no plano geral do confuso pluripartidarismo canarinho, todos correm atrás da garantia do poder político. Custe o que custar.

A indissociabilidade entre arte e política

25 ago

começo o segundo post do blog escrevendo sobre um tema que há muito tempo venho pensando e discutindo por aí. seria possível pensar arte alheia à política?

será que arte e política somente se cruzam na realização da arte política? (ex. pôsteres soviéticos, pôsteres da guerra civil espanhola, arte e propaganda política na guerra civil espanhola, arte sociopolítica, kalvellido)

cartaz da guerra civil espanhola

cartaz da guerra civil espanhola

a opinião do escritor deste blog é definitivamente que não.

a política está para a arte como está para qualquer outra instância da vida.

separarei este post em duas partes. A primeira será voltada para um lado mais prático e ilustrativo, com exemplos históricos e conceituações básicas. Já na segunda tentarei expor minhas impressões sociológicas e filosóficas a respeito do tema que me proponho discutir neste post.

nota: em breve escreverei uma terceira parte, tratando de outras questões que considero essenciais na discussão.

Parte I

partindo de um ponto de vista diacrônico e colocando em contextos históricos, citaria brevemente dois exemplos bem elucidativos para chegar aonde pretendo: a arte produzida dentro da política do mecenato (antiguidade greco-romana e renascimento) e os retratos comuns de indivíduos das nobrezas européias em obras de artistas do mais alto escalão nas suas respectivas épocas.

Papa Inocencio X, de Diego Velásquez

Papa Inocencio X, de Diego Velásquez

podemos pensar o  Romantismo, o Realismo, o Expressionismo… até movimentos mais próximos da nossa geração como o Pop Art, o Surrealismo e outros movimentos com fortes vínculos políticos, que muitas vezes não consistia na reprodução da militância, mas nas motivações, nos contextos de surgimento dos movimentos e nas expressões geracionais e culturais de um mundo que parecia começar a experimentar os efeitos globalizatórios.

da contemporaneidade, podemos nos referir ao graffiti como maior expressão artística alternativa, calcada na contra-cultura e no underground, e o chamado “neoexpressionismo” (ver foto abaixo), que são particularmente meus favoritos, além do stencil e dos stickers.

por carlos dias

arte por carlos dias

Parte II

eu mesmo sou um crítico ferrenho de estereótipos artísticos, metidos a intelectuais e críticos de arte de buteco e afins (ainda mais vivenciando o meio universitário…), portanto estou enjoado de ter escrito toda a primeira parte. sim, também sinto uma leve náusea.

para entretenimento, relaxamento e lazer, sugiro um trecho do “Noivo neurótico, noiva nervosa” (Woody Allen) para descontrair.

retomando…

esses dias estava passeando com uma amiga que faz Teatro e discutíamos sobre a falta de incentivo e a desvalorização (e a consequente “inevitável” elitização) deste tipo de atividade. uma pena, não é mesmo? que maravilha seria a volta do teatro popular! o interesse do povo pelas peças em praça pública! teatros lotados em dias de semana e também nos finais!

em off: em ouro preto e mariana estou tendo a oportunidade de experimentar o Teatro (como espectador) em diversas ocasiões e, acreditem, cada vez mais me apaixono por esse tipo de experiência. recomendadíssimo!

de volta: por que meus devaneios sobre o sucesso do Teatro não se tornam realidade? por que as novelas são o produto que lidera a preferência do povo e o Teatro sequer compete com estas?

política.

ou a falta dela.

(aqui cabe não só esse questionamento referente ao teatro, mas à música, ao cinema, à pintura e a todo objeto “construtivista” em que houver [interpretação de] arte)

fato é que a arte depende da política para se manifestar, para ser produzida, para ser fomentada, para ser criada e para ser pensada.

e a política, enquanto ferramenta de manutenção da ordem vigente (no caso da sociedade do capital), trabalhará no sentido de controlar e usar a arte para os fins que desejar, nem que isso custe (e custa) a banalização e a mercantilização esvaziante da mesma.

indissociáveis, a arte e a política estão ligados muito mais além do que pensamos, se o fizermos superficialmente. E se pensarmos essa relação como algo distante e frágil, corremos o risco de não captarmos o real significado das mensagens, dos símbolos e das representações. Faz-se necessário, também, uma leitura política do objeto artístico. (Semiótica parece ser um bom tema a ser estudado, nesse caso)

“Temos a Arte para não morrer da verdade” (F. Nietzsche)