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Fim das eleições, fim da história?

3 nov

Nós vemos no Estado uma instituição desenvolvida através da história das sociedades humanas para impedir a união entre os homens, para entravar o desenvolvimento da iniciativa local e individual, para aniquilar as liberdades que existiam, para impedir a sua nova eclosão e submeter as massas aos interesses, egoísmos e ambições das minorias ociosas e autoritárias.

E sabemos muito bem que uma instituição que tenha um passado de milhares e milhares de anos não pode desempenhar uma função diferente daquela para que foi criada, nem diferente daquela em que se desenvolveu no decurso da história. (P. Kropotkin)

passado o período eleitoral, que teve seu último capítulo neste domingo (31), somos levados a refletir sobre o que fizemos e construímos nesse tempo. as questões que me vem à mente, prioritariamente, são a falácia democrática inerente ao sistema e, claro, a existência de política além do voto.

não é apenas uma questão de se votar nulo ou de escolher o menos pior entre o sujo e o mal lavado. é uma análise sincera e profunda sobre nosso papel enquanto indivíduos, enquanto agentes da sociedade, responsáveis pela construção desta e capazes de transformá-la.

essa concepção de que o voto é uma obrigação cívica, um ato de cidadania acaba se tornando um senso comum em uma sociedade cada vez mais passiva, e pior, causa a ilusão de participação política do indivíduo. é anestesiado por essa mesma ilusão, de participação e atividade que vem dessa sociedade em rede. como se ter um blog, um twitter ou um facebook e, através dessas ferramentas, expressar suas opiniões, fosse um ato grandioso e decisivo socialmente. mera ingenuidade. o controle dessa mesma web que nos permite comunicar-nos e expressar-nos livremente está, em boa parte, nas mãos dos mesmos que financiam campanhas eleitorais e apertam as mãos dos que nos governam ou o desejam fazer.

para ir além, temos que nos questionar de forma mais profunda. não se trata apenas da batalha entre o PT, o partido da cooptação e o PSDB, o da opressão. tampouco escolher a “onda verde”, que não é nada mais que o centro com uma roupa moderna. é muito pouco, para uma sociedade de classes, que se debata apenas de que forma as coisas continuarão a ser administradas dentro da mesma ordem social e econômica. muda-se o presidente, alguns nomes, as bandeiras e até políticas públicas, como no fenômeno lulista. mas a estrutura continua a mesma. o poder verticalizado mantém, sob a força do aparato estatal, a ferro e fogo, a sua ordem. essa é a sociedade em que vivemos e que somos responsáveis por sua existência. que a coerção caia sobre as cabeças dos eleitores!

para ir além, portanto, temos que nos questionar até quando buscaremos as respostas para uma pergunta errada. quando perceberemos, enfim, que discutir qual a melhor opção para nos governar é agonizar no vale da morte, no limbo do Estado – esse corpo sem vida e sem cor.

a organização dos indivíduos deve vir dos próprios indivíduos. de suas associações livres. não da obediência, do cumprimento das leis, do andar nos trilhos que nos são impostos. temos que perceber que a sociedade como ela é não é obra da natureza. o modo de vida que vivemos não é algo natural e imutável. é realizado por seres humanos, por nós mesmos, inclusive. e cabe a nós, às pessoas comuns, ao povo, por assim dizer, transformar isso. para tornar-se livre, no sentido mais profundo do termo, é preciso tornar-se ingovernável. tomemos como exemplo os zapatistas no México e sua Otra Campaña e sua versão, ainda germinal, brasileira.

que a reflexão não seja feita somente acerca do poder, mas do modo de vida, principalmente. que nos inspiremos nas palavras de bob black e sua abolição do trabalho e exijamos, de nós mesmos, muito mais para viver intensamente.

“O Estado não é absolutamente a sociedade, é apenas uma forma histórica tão brutal quanto abstrata. Nasceu historicamente, em todos os países, do casamento da violência, da rapina e do saque, isto é, da guerra e da conquista, com os deuses criados sucessivamente pela fantasia teológica das nações. Foi, desde sua origem e permanece ainda a hoje, a sanção divina da força bruta e da iniquidade triunfante.

A revolta é muito mais fácil contra o Estado, porque há na própria natureza do Estado alguma coisa que leva à revolta. O Estado é a autoridade, é a força, é a ostentação e a enfatuação da força. Ele não se insinua, não procura converter: sempre que interfere, o faz de mau jeito, pois sua natureza não é de persuadir, mas de impor-se, de forçar. Inutilmente tenta mascarar esta natureza de violador legal da vontade dos homens, de negação permanente de sua liberdade. (M. Bakunin)

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“Amor à camisa… mas que saudade!” – Contra o futebol moderno.

22 set

De norte a sul, clubes tornam-se, da noite pro dia, mais uma filial da Red Bull. Aperta-se o cerco à festa das torcidas e, cada vez mais, coloca-se a tradição do futebol abaixo dos interesses comerciais. A espetacularização capitalista de um dos esportes mais anárquicos do mundo – o qual se joga com garotos na rua e uma bolinha feita de papel ou meias – transforma o futebol em uma mercadoria consumida de forma cada vez mais passiva.

O futebol não é uma ilha, alheio a sistemas econômicos e políticos. Tampouco é democrático, como gostariam os fãs do jogo. No entanto, a gradual transição dos clubes para empresas, a lógica de mercado como modelo de gestão e toda a rede milionária que envolve a mídia e o marketing geram muitos lucros. Mas ao torcedor, apaixonado pelo calcio, tem um alto preço.

 Na Dinamarca, torcida exibe bandeirão com os dizeres: "Por que tudo tem que ser tão chato e cinza?"

Na Dinamarca, torcida exibe bandeirão com os dizeres: "Por que tudo tem que ser tão chato e cinza?"

Os ingressos são cada vez mais caros e o horário dos jogos fica à mercê da vontade dos senhores da televisão. Na Europa, já são comuns os protestos pelos jogos em dias atípicos (segunda-feira em Portugal e Espanha ou sábado na Itália, por exemplo), também causados pelos mais arbitrários interesses comerciais. Mas talvez o maior prejuízo de todo esse processo seja o fim do amor à camisa, que é sem dúvidas o ingrediente mais passional e valoroso do esporte bretão.

Exemplos recentes não faltam, como a venda do Grêmio Barueri para a cidade de Presidente Prudente, alterando inclusive o nome do time (transação que parece estar fazendo escola, inclusive), ou as medidas policiais que geraram a campanha internacional “Pirotecnia não é crime”, encampada por diversos grupos de torcedores. As cadeiras substituem os degraus e, se depender dos poderosos, a atividade de ir a um jogo de futebol, lazer historicamente popular, se equiparará a ir a um espetáculo de teatro ou cinema, tendo seu acesso restrito aos que têm condições financeiras para tanto.

Os torcedores, dentro de seus direitos e representando o interesse das classes populares, se manifestam na tentativa de chamar a atenção e defender o que não pode ser nem vendido, nem comprado: a tradição. Cabe ao público levar o debate adiante, inclusive fora de campo, a fim de refletir questões sociais. Enquanto isso, o futebol continuará sendo a paixão dos torcedores, porém crescerá, à mesma medida que o número de clientes do pay-per-view, a quantidade de saudosistas e nostálgicos. Estes se lembrarão de seus eternos ídolos, que amavam a camisa que vestiam, e das festas nas arquibancadas, nas quais não se distinguia cor, raça, credo ou bolso.

Protesto da torcida do Salzburg, da Áustria, contra a Red Bull.

Protesto da torcida do Salzburg, da Áustria, contra a Red Bull.

Torcida do Sparta Praga em protesto contra o futebol moderno

Torcida do Sparta Praga em protesto contra o futebol moderno

Mais manifestações na Europa

"Não. Nossa resposta ao vosso futebol", dizem os italianos.

A torcida do Rayo Vallecano, da Espanha.

“Amor à camisa… mas que saudade!”

honduras, brasília e a imprensa.

1 dez

Honduras

como é possível qualificar como “democrática” e  “legítima” uma eleição em que há 75% de abstenção de votos?

pois é isso que a imprensa brasileira, bem como a mídia internacional, fazem.

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notas e comentários

16 nov
  • o apagão da última semana colocou alguns obstáculos no caminho da reeleição petista.

a estratégia publicitária de comparação do Governo Lula com FHC foi abaixo com o episódio do blackout, em grande parte atribuído às responsabilidades da ministra da casa civil e pré-candidata pelo PT Dilma Roussef. o mote da campanha, que deve ter um forte caráter lulista, se junta agora a outros fatores negativos, como a própria falta de carisma da candidata. problemas à parte, o PT, na opinião deste blogueiro, ainda é favorito para a eleição de 2010. graças à popularidade do presidente e a evidente incompetência da oposição, que ganha nova chance com o episódio.

  • após Aécio Neves rejeitar publicamente a condição de candidato a vice de Serra e criticar categoricamente a estratégia do PSDB para superar o PT na eleição de 2010, os tucanos ganham fôlego com o episódio do apagão (apesar do iminente contraataque petista em cima do acidente do rodoanel). mais munição para o sempre maquiado discurso da direita. de qualquer forma, o departamento de marketing e estratégia do partido terá que se desdobrar para vencer o PT de Lula.  para novidades da campanha da direita upper class tupiniquim tucana, recomendo este link.
  • foi lançada, em cerimônia no Clube dos Bancários, em São Paulo/SP, a pré-candidatura de Zé Maria, pelo PSTU. única alternativa, de fato, da esquerda brasileira. apesar de difícil, a proposta do partido consiste na necessidade de haver a alternativa classista e socialista. mas é sabido que as chances de eleição do operário Zé Maria são remotíssimas. é questionável a viabilidade da participação partidária da esquerda no sistema democrático burguês. esse que, por sinal, é um dos grandes paradigmas enfrentados pela esquerda na história.

foto retirada de http://www.pstu.org.br

  • ainda sobre o lançamento da pré-candidatura de Zé Maria (que já concorreu duas vezes à presidência nacional), um dos principais temas debatidos no evento (e na esquerda nacional) é a atual crise do PSOL. a principal questão consiste na ameaça do partido se coligar com o PV e apoiar a candidatura de Marina Silva, o que causa muita polêmica na sua base. o PSTU convoca todas as correntes e militantes do PSOL que se identifiquem com a causa defendida pelos trabalhadores a se unirem e reeditarem as frentes socialistas unificadas que os dois partidos já realizaram em outras ocasiões.

foto retirada de http://www.pstu.org.br

 

“o que separa o velho do novo…” no mundo da bola

9 nov

Não quero regra nem nada
Tudo tá como o diabo gosta, tá,
Já tenho este peso, que me fere as costas,
e não vou, eu mesmo, atar minha mão.

O que transforma o velho no novo
bendito fruto do povo será.
E a única forma que pode ser norma
é nenhuma regra ter;
é nunca fazer nada que o mestre mandar.
Sempre desobedecer.
Nunca reverenciar.  (Como o diabo gosta – Belchior)

por Felipe Bianchi

Belluzzo com torcedores na Ilha do Retiro, em Recife.

Luis Gonzaga Belluzo é um dos mais importantes economistas e pensadores brasileiros desde o século XX.

seu gabarito inclui diversos feitos, trabalhos e prêmios. desde a década de 60.

hoje, Belluzzo é presidente – querido e apaixonado – da Sociedade Esportiva Palmeiras, que é o clube do coração deste blogueiro que vos escreve. Continue lendo

Artigo sobre a piada (de mau gosto) democrática do sistema político brasileiro

4 nov

o seguinte texto é na verdade um artigo produzido por mim para as aulas de “Redação em Jornalismo II”, ministradas pela professora Adriana Bravin, na Universidade Federal de Ouro Preto.

como faz tempo que não posto aqui – e tenho tido pouco tempo, na verdade, para atualizar o blog -, publicarei o artigo que produzi na Universidade.

Democracia à venda, compra e permuta

por Felipe Bianchi dos Santos

Se alguém, por mais ingênuo que seja, pensa que as eleições só começam no ano que ocorrerão, certamente não tem acompanhado o flamejante noticiário político do país. As cartas eleitorais já estão sendo dadas e, infelizmente, o repetitivo quadro, que persiste dominando o sistema político brasileiro, vai se firmando novamente. De um lado, o PT, defendendo a continuidade de um projeto conciliador, longe de suas tradições de esquerda. Do outro, o PSDB, tentando recuperar o poder que os adversários conquistaram. No meio, esbarrando uns nos outros, a centena de legendas e siglas que formam uma interminável corrente que une, muito além de “ideais” e “posições”, a manutenção do poder político.

O dito de Lula, que tanto causou polêmica nessa semana, de que “se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão” parece piada. Mas não é. Afora indignações de setores religiosos ou qualquer reação do tipo, podemos afirmar e nos preocupar com a realista e sincera metáfora do presidente.

O governo e seus representantes calcam cada vez mais seu discurso em princípios democráticos, vangloriando-se de o país, que ainda é jovem no cenário histórico global, estar alcançando um estágio maduro de sua democracia. O curioso é que o Senado enfrentou recentemente  uma turbulenta crise institucional, reverberada principalmente pelo caso Sarney. Ademais, a alternância de velhos nomes nos cargos políticos, como o de Fernando Collor e do próprio Sarney, agride o argumento democrático. Nas eleições, que são consideradas algo semelhante a um “ritual da democracia”, as contradições são escancaradas: a disparidade de tempo no horário de propaganda eleitoral de partido para partido, a necessidade de patrocínios empresariais como parte do jogo eleitoreiro e principalmente a obrigatoriedade do voto.

Além disso, mesmo que não esteja na pauta do debate público, o próprio modelo eleitoral presidencialista, de uma democracia representativa ao invés de participativa, deve ser posto em xeque. Cada vez mais a máquina pública é apropriada pelos governantes, irreconhecíveis em relação a suas antigas e desbotadas bandeiras, e o estado de bem-estar social minimizado (à grosso modo: os pesados impostos não são revertidos em benfeitorias sociais para as quais são destinados).

Falando em bandeiras desbotadas, e inegável a perda de identidade dos partidos brasieliros. O melhor exemplo é o PT. O partido vive clima de eleição presidencial interna, que ocorre no fim de novembro, e a disputa é óbvia: os que defendem o “novo PT” versus os que desejam resgatar o espírito revolucionário do partido. O PMDB esbarra nas divergências quanto ao lançamento de candidatura própria ou aliança com o PT. Já o PSDB precisa definir sua tática através da escolha de Serra ou Aécio. Mas, no plano geral do confuso pluripartidarismo canarinho, todos correm atrás da garantia do poder político. Custe o que custar.

Jogos, trapaças e 2016 canos fumegantes.

5 out

então, como todos já sabem – e esse blog nem pretende dar tratamento de notícia ao tema-, o Rio de Janeiro sediará a Olímpiada – o maior evento poliesportivo do mundo.

manifesto, aqui no blog, minha posição contrária à realização da Olimpíada no Brasil. e as razões, que irei expor logo mais, vão além da tragédia-anunciada (e tradição nacional) dos desvios de verba, das irregularidades nas licitações à empresas e todo o jogo de bastidores que certamente enriquecerão pessoas, físicas e jurídicas.

é óbvio que, numa posição de consumidor e espectador passivo, é maravilhoso termos a Olimpíada, esse evento histórico e de magnitudes e importância ímpares na história da humanidade, no nosso país. legal ver o desfilar, nas alamedas do povo brasileiro, dos estandartes do mundo todo, sendo carregados por semblantes de seres humanos realizados ao participarem de um acontecimento que remete ao universo glorioso da “paz e cordialidade entre os povos”.

mas numa posição de cidadão crítico à política nacional e internacional, com uma opinião particular, claro, considero uma lástima ao país. não ao país do governo, o “país de todos”, cheio de projetos e roupagem de democracia e desenvolvimento, de amparo e assistencialismo. falo do país que empurrou os negros para as periferias, que oprimiu os imigrantes operários, que reprime os sonhadores e que, submetido à ordem global do capital, sustenta um sistema do medo e não de esperança (ah! a classe média…).

foto por Marcia Foletto (oglobo.com)

foto por Marcia Foletto (oglobo.com)

o país comemora ter saído da crise ileso (mesmo com milhares de trabalhadores perdendo o emprego… vai entender). seus dirigentes e capitalistas vêem a nação prosperar economicamente. do governo, se esperaria naturalmente que o bom momento econômico, aliado aos pesados impostos que paga o contribuinte (eu, você e mais cerca de 183 milhões de pessoas), traga investimentos satisfatórios na educação, saúde, transporte e claro… infraestrutura. mas em contra da lógica do bem estar social, a eterna bandeira liberal da “geração de empregos” está mais uma vez hasteada no topo da pirâmide social brasileira. além disso, o argumento da melhoria na infraestrutura carioca é propagada – e aceita! – como uma justificativa e como benefício da realização dos jogos aqui. leia-se: do investimento de muitos milhões no evento e na capital do estado do Rio de Janeiro.

"sol e lucro para os ricos; violência para os pobres'

nada se aprendeu com o Pan 2007, que custou R$3,7 bilhões aos cofres públicos (municipal, estadual e federal). quase 800% mais que o previsto.  além disso, foram muitas as denúncias de isolamento da população pobre e do caráter elitista do evento. pior: a realização da Olimpíada no Rio tem tudo para amplificar os efeitos de segregação sócio-espacial. como já se denunciou por aí, em ocasião da visita do Comitê Olímpico Internacional ao Rio, uma operação de “limpeza da cidade” (ou seja, remoção de mendigos e moradores de rua) foi realizada e flagrada pela imprensa.

é difícil fazer qualquer prognóstico, já que a política(gem) é o carro-chefe do projeto milionário do evento.

e por falar em politicagem, registro aqui que, na minha opinião, a escolha da sede era um jogo de cartas-marcadas.  a questão política prevalecera. mas assumo o caráter especulatório das minhas afirmações, com o intuito de isentá-las da acusação de serem levianas. mas custa muito caro a mim acreditar na transparência e na inocência da votação de sedes olímpicas. Madrid que o diga.

não nos custa lembrar neste tópico que Carlos Arthur Nuzman, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), tem um histórico controverso: além dos problemas do Pan, Nuzman fora eleito para seu quarto mandato à frente do Comitê de maneira pouco clara, na “surdina”. O país padece de uma sindrome tirânica dos diplomatas esportivos. Tirania que tem seu símbolo-mor no presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.

em tempo, podemos relacionar todo o alvoroço causado pela vitória do Rio de Janeiro às eleições presidenciais que se aproximam. a jogada certamente fará parte do evento de celebração da ilusão democrática em 2010.

o jogo político abrange um universo enorme, passando pelo Comitê Olímpico Internacional, o Brasileiro, a política do Governo Lula e, para além do factual,  todo um projeto político nacional. o preço dessa política desenvolvimentista, no entanto, pode ser muito caro para o povo. primeiro porque este precisa de livros, remédios e outras melhoras de vida de primeira instância. segundo porque são os que serão isolados e não terão cadeira nos palcos luxuosos dos jogos olímpicos.

afinal, qual o preço desse desenvolvimento? e mais, qual a necessidade maior do povo brasileiro? é necessário e positivo que se realizem megaeventos bilionários para que os detentores do poder (Estado e mercado) atentem para os problemas urbanos e populares (que já atingem proporções escandalosas) no país?

decerto, são jogos com regras bem definidas e cartas marcadas, cheio de trapaças e, em 2016, canos fumegantes.

Felipe Bianchi