Artigo sobre a piada (de mau gosto) democrática do sistema político brasileiro

4 nov

o seguinte texto é na verdade um artigo produzido por mim para as aulas de “Redação em Jornalismo II”, ministradas pela professora Adriana Bravin, na Universidade Federal de Ouro Preto.

como faz tempo que não posto aqui – e tenho tido pouco tempo, na verdade, para atualizar o blog -, publicarei o artigo que produzi na Universidade.

Democracia à venda, compra e permuta

por Felipe Bianchi dos Santos

Se alguém, por mais ingênuo que seja, pensa que as eleições só começam no ano que ocorrerão, certamente não tem acompanhado o flamejante noticiário político do país. As cartas eleitorais já estão sendo dadas e, infelizmente, o repetitivo quadro, que persiste dominando o sistema político brasileiro, vai se firmando novamente. De um lado, o PT, defendendo a continuidade de um projeto conciliador, longe de suas tradições de esquerda. Do outro, o PSDB, tentando recuperar o poder que os adversários conquistaram. No meio, esbarrando uns nos outros, a centena de legendas e siglas que formam uma interminável corrente que une, muito além de “ideais” e “posições”, a manutenção do poder político.

O dito de Lula, que tanto causou polêmica nessa semana, de que “se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão” parece piada. Mas não é. Afora indignações de setores religiosos ou qualquer reação do tipo, podemos afirmar e nos preocupar com a realista e sincera metáfora do presidente.

O governo e seus representantes calcam cada vez mais seu discurso em princípios democráticos, vangloriando-se de o país, que ainda é jovem no cenário histórico global, estar alcançando um estágio maduro de sua democracia. O curioso é que o Senado enfrentou recentemente  uma turbulenta crise institucional, reverberada principalmente pelo caso Sarney. Ademais, a alternância de velhos nomes nos cargos políticos, como o de Fernando Collor e do próprio Sarney, agride o argumento democrático. Nas eleições, que são consideradas algo semelhante a um “ritual da democracia”, as contradições são escancaradas: a disparidade de tempo no horário de propaganda eleitoral de partido para partido, a necessidade de patrocínios empresariais como parte do jogo eleitoreiro e principalmente a obrigatoriedade do voto.

Além disso, mesmo que não esteja na pauta do debate público, o próprio modelo eleitoral presidencialista, de uma democracia representativa ao invés de participativa, deve ser posto em xeque. Cada vez mais a máquina pública é apropriada pelos governantes, irreconhecíveis em relação a suas antigas e desbotadas bandeiras, e o estado de bem-estar social minimizado (à grosso modo: os pesados impostos não são revertidos em benfeitorias sociais para as quais são destinados).

Falando em bandeiras desbotadas, e inegável a perda de identidade dos partidos brasieliros. O melhor exemplo é o PT. O partido vive clima de eleição presidencial interna, que ocorre no fim de novembro, e a disputa é óbvia: os que defendem o “novo PT” versus os que desejam resgatar o espírito revolucionário do partido. O PMDB esbarra nas divergências quanto ao lançamento de candidatura própria ou aliança com o PT. Já o PSDB precisa definir sua tática através da escolha de Serra ou Aécio. Mas, no plano geral do confuso pluripartidarismo canarinho, todos correm atrás da garantia do poder político. Custe o que custar.

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Uma resposta to “Artigo sobre a piada (de mau gosto) democrática do sistema político brasileiro”

  1. Vlad 16/11/2009 às 14:16 #

    Muito bem escrito o post. Na verdade nã só se pensa já (e faz tempo) na eleição do ano que vem, já se pensa em 2014, em 2016 e daí pra frente até. Até aí não acho isso errado pois tem haver organização mesmo no partido se ele quiser ser minimamente sério. O problema – como vc bem disse – é que isto é feito mais para se manter no poder e não acreditando que é a melhor solução pro povo mas muitas vezes se fa zisso apenas para que outro chegue no poder antes. Eu particularmente nunca vi no pt um partido de carater revolucionário, aliás pelo contrário sempre teve influência dos reaças atrasados da igreja, com o tempo o que eles perceberam é que tinham um candidato com bom potencial pra ser presidente mas eles – o partido – não tinham nenhuma ástucia politica para coloca-l lá. Recuaram em muitas posições, reviram outras, jogaram no lixo tantas mais e elegeram um presidente, aliás reelegeram. O caso dele ainda é “menos pior” na minha visão, em muitas cidades pt e psdb fizeram aliança nas ultimas eleições. Acho que cada vez mais os partidos no brasil são como clubes de futebol – excetuando a fidelidade clubistica que existe, ao contrário da partidária – vc escolhe um clube quando criança e as vezes nem sabe por que, a cor, o pai que levou ao estádio, os amigos, um jogador…É inexplicável tal como os partidos no Brasil.

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