Encontro de Ocupações em São Paulo

9 nov

encontro de ocupações em sp

O tema da moradia é de fundamental importância para a sociedade, se considerarmos que a propriedade privada e a má distribuição de renda excluem milhares de pessoas do acesso à moradia. As ocupações, portanto, configuram-se tanto como protesto contra a privação desse direito para as camadas populares, como por necessidade e urgência daqueles que não tem um teto. Com movimentos espalhados por todo país e ocupações acontecendo em todo mundo, o primeiro Encontro de Ocupações em São Paulo, que acontece nos dias 13, 14 e 15 de novembro (sábado, domingo e segunda-feira, feriado), busca reunir pessoas e coletivos a fim de compartilhar experiências e ideias em torno do tema.

O evento, organizado de forma independente, trará palestras, debates, oficinas e shows, tudo relacionado à ocupações, resistência, autogestão e (contra)cultura libertária.

…pode ser útil:

O QUE É SQUAT?

O QUE É OCUPAÇÃO?

OCUPAÇÃO DANDARA

BLOG PELA MORADIA

 

Fim das eleições, fim da história?

3 nov

Nós vemos no Estado uma instituição desenvolvida através da história das sociedades humanas para impedir a união entre os homens, para entravar o desenvolvimento da iniciativa local e individual, para aniquilar as liberdades que existiam, para impedir a sua nova eclosão e submeter as massas aos interesses, egoísmos e ambições das minorias ociosas e autoritárias.

E sabemos muito bem que uma instituição que tenha um passado de milhares e milhares de anos não pode desempenhar uma função diferente daquela para que foi criada, nem diferente daquela em que se desenvolveu no decurso da história. (P. Kropotkin)

passado o período eleitoral, que teve seu último capítulo neste domingo (31), somos levados a refletir sobre o que fizemos e construímos nesse tempo. as questões que me vem à mente, prioritariamente, são a falácia democrática inerente ao sistema e, claro, a existência de política além do voto.

não é apenas uma questão de se votar nulo ou de escolher o menos pior entre o sujo e o mal lavado. é uma análise sincera e profunda sobre nosso papel enquanto indivíduos, enquanto agentes da sociedade, responsáveis pela construção desta e capazes de transformá-la.

essa concepção de que o voto é uma obrigação cívica, um ato de cidadania acaba se tornando um senso comum em uma sociedade cada vez mais passiva, e pior, causa a ilusão de participação política do indivíduo. é anestesiado por essa mesma ilusão, de participação e atividade que vem dessa sociedade em rede. como se ter um blog, um twitter ou um facebook e, através dessas ferramentas, expressar suas opiniões, fosse um ato grandioso e decisivo socialmente. mera ingenuidade. o controle dessa mesma web que nos permite comunicar-nos e expressar-nos livremente está, em boa parte, nas mãos dos mesmos que financiam campanhas eleitorais e apertam as mãos dos que nos governam ou o desejam fazer.

para ir além, temos que nos questionar de forma mais profunda. não se trata apenas da batalha entre o PT, o partido da cooptação e o PSDB, o da opressão. tampouco escolher a “onda verde”, que não é nada mais que o centro com uma roupa moderna. é muito pouco, para uma sociedade de classes, que se debata apenas de que forma as coisas continuarão a ser administradas dentro da mesma ordem social e econômica. muda-se o presidente, alguns nomes, as bandeiras e até políticas públicas, como no fenômeno lulista. mas a estrutura continua a mesma. o poder verticalizado mantém, sob a força do aparato estatal, a ferro e fogo, a sua ordem. essa é a sociedade em que vivemos e que somos responsáveis por sua existência. que a coerção caia sobre as cabeças dos eleitores!

para ir além, portanto, temos que nos questionar até quando buscaremos as respostas para uma pergunta errada. quando perceberemos, enfim, que discutir qual a melhor opção para nos governar é agonizar no vale da morte, no limbo do Estado – esse corpo sem vida e sem cor.

a organização dos indivíduos deve vir dos próprios indivíduos. de suas associações livres. não da obediência, do cumprimento das leis, do andar nos trilhos que nos são impostos. temos que perceber que a sociedade como ela é não é obra da natureza. o modo de vida que vivemos não é algo natural e imutável. é realizado por seres humanos, por nós mesmos, inclusive. e cabe a nós, às pessoas comuns, ao povo, por assim dizer, transformar isso. para tornar-se livre, no sentido mais profundo do termo, é preciso tornar-se ingovernável. tomemos como exemplo os zapatistas no México e sua Otra Campaña e sua versão, ainda germinal, brasileira.

que a reflexão não seja feita somente acerca do poder, mas do modo de vida, principalmente. que nos inspiremos nas palavras de bob black e sua abolição do trabalho e exijamos, de nós mesmos, muito mais para viver intensamente.

“O Estado não é absolutamente a sociedade, é apenas uma forma histórica tão brutal quanto abstrata. Nasceu historicamente, em todos os países, do casamento da violência, da rapina e do saque, isto é, da guerra e da conquista, com os deuses criados sucessivamente pela fantasia teológica das nações. Foi, desde sua origem e permanece ainda a hoje, a sanção divina da força bruta e da iniquidade triunfante.

A revolta é muito mais fácil contra o Estado, porque há na própria natureza do Estado alguma coisa que leva à revolta. O Estado é a autoridade, é a força, é a ostentação e a enfatuação da força. Ele não se insinua, não procura converter: sempre que interfere, o faz de mau jeito, pois sua natureza não é de persuadir, mas de impor-se, de forçar. Inutilmente tenta mascarar esta natureza de violador legal da vontade dos homens, de negação permanente de sua liberdade. (M. Bakunin)

Tags:, , ,

“Amor à camisa… mas que saudade!” – Contra o futebol moderno.

22 set

De norte a sul, clubes tornam-se, da noite pro dia, mais uma filial da Red Bull. Aperta-se o cerco à festa das torcidas e, cada vez mais, coloca-se a tradição do futebol abaixo dos interesses comerciais. A espetacularização capitalista de um dos esportes mais anárquicos do mundo – o qual se joga com garotos na rua e uma bolinha feita de papel ou meias – transforma o futebol em uma mercadoria consumida de forma cada vez mais passiva.

O futebol não é uma ilha, alheio a sistemas econômicos e políticos. Tampouco é democrático, como gostariam os fãs do jogo. No entanto, a gradual transição dos clubes para empresas, a lógica de mercado como modelo de gestão e toda a rede milionária que envolve a mídia e o marketing geram muitos lucros. Mas ao torcedor, apaixonado pelo calcio, tem um alto preço.

 Na Dinamarca, torcida exibe bandeirão com os dizeres: "Por que tudo tem que ser tão chato e cinza?"

Na Dinamarca, torcida exibe bandeirão com os dizeres: "Por que tudo tem que ser tão chato e cinza?"

Os ingressos são cada vez mais caros e o horário dos jogos fica à mercê da vontade dos senhores da televisão. Na Europa, já são comuns os protestos pelos jogos em dias atípicos (segunda-feira em Portugal e Espanha ou sábado na Itália, por exemplo), também causados pelos mais arbitrários interesses comerciais. Mas talvez o maior prejuízo de todo esse processo seja o fim do amor à camisa, que é sem dúvidas o ingrediente mais passional e valoroso do esporte bretão.

Exemplos recentes não faltam, como a venda do Grêmio Barueri para a cidade de Presidente Prudente, alterando inclusive o nome do time (transação que parece estar fazendo escola, inclusive), ou as medidas policiais que geraram a campanha internacional “Pirotecnia não é crime”, encampada por diversos grupos de torcedores. As cadeiras substituem os degraus e, se depender dos poderosos, a atividade de ir a um jogo de futebol, lazer historicamente popular, se equiparará a ir a um espetáculo de teatro ou cinema, tendo seu acesso restrito aos que têm condições financeiras para tanto.

Os torcedores, dentro de seus direitos e representando o interesse das classes populares, se manifestam na tentativa de chamar a atenção e defender o que não pode ser nem vendido, nem comprado: a tradição. Cabe ao público levar o debate adiante, inclusive fora de campo, a fim de refletir questões sociais. Enquanto isso, o futebol continuará sendo a paixão dos torcedores, porém crescerá, à mesma medida que o número de clientes do pay-per-view, a quantidade de saudosistas e nostálgicos. Estes se lembrarão de seus eternos ídolos, que amavam a camisa que vestiam, e das festas nas arquibancadas, nas quais não se distinguia cor, raça, credo ou bolso.

Protesto da torcida do Salzburg, da Áustria, contra a Red Bull.

Protesto da torcida do Salzburg, da Áustria, contra a Red Bull.

Torcida do Sparta Praga em protesto contra o futebol moderno

Torcida do Sparta Praga em protesto contra o futebol moderno

Mais manifestações na Europa

"Não. Nossa resposta ao vosso futebol", dizem os italianos.

A torcida do Rayo Vallecano, da Espanha.

“Amor à camisa… mas que saudade!”

Tags:, , , ,

o retorno.

9 ago

a guerra espiritual em palavras, áudio e imagem está de volta após um breve período de hibernação.

muitas razões afastaram este escritor de sua cria entre dezembro de 2009 e julho de 2010, porém em agosto as máquinas voltam a todo vapor.

(anti) política, (contra) cultura e opiniões para dar, não para vender. a guerra espiritual, em novo formato, como prometido.

clima de eleições, decadência e morte ideológica como ideologia vigente, reificação/coisificação de tudo e todos… a garrafa, o pano e o combustível já estão em mãos.

Tags:, ,

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.